À mais de um ano que não postava, acontece que estando o assunto da requalificação do espaço da REFER na ordem do dia , penso fazer todo o sentido republicar o meu artigo de Junho de 2008, ou seja faz mais ou menos 3 anos, na altura publicado na coluna do ecos denominada por conversa de arquitecto;
"Nesta “conversa” queremos deixar uma breve nota sobre o plano de recuperação do espaço da Estação da CP, a análise recairá sobre a história do local e a intervenção proposta tendo em conta a sua componente social, económica e urbana.
Se a história da rede ferroviária nacional tem início com Costa Cabral em 1845, a de Estremoz chega com a abertura da linha a 22 de Dezembro de 1873. É também dessa altura a demolição de parte da muralha setecentista, projectada de acordo com o modelo de Vauban e um dos melhores exemplos do país. O troço que foi demolido chegaria ao final da cerca conventual do Convento de S. Francisco, aproximadamente o muro do actual RC3, por arrasto destruíram-se alguns quarteirões de edifícios habitacionais que caracterizaram as ocupações dos sec. XVI e XVII junto às muralhas. Desta breve resenha podemos constatar que o local da intervenção tem uma história associada à muralha e às cercas conventuais de S. Francisco e Maltesas, o que à primeira vista o libertaria para uma intervenção pessoal transforma-o num local de absolutas reservas históricas face ao tipo de intervenção a preconizar.
Antes de caracterizarmos a intervenção queremos questionar o seu programa e a sua metodologia. Numa zona tampão entre a cidade e sua zona industrial deverão existir edifícios habitacionais? A ferrovia está definitivamente excluída das alternativas para a nossa mobilidade? A estação de Estremoz é uma das únicas estações “urbanas” do interior do nosso país, que pela sua proximidade com a cidade a transforma numa excelente opção para a mobilidade dentro do concelho, é correcto extingui-la desta forma?
Não encontrando resposta para aquelas questões de fundo, queremos no entanto realçar a falta de interpretação histórica, bem como a falta de hierarquia dos elementos urbanos propostos. A primeira porque o arruamento proposto é paralelo à Avª 9 de Abril, via urbana criada com a demolição da muralha e que estrangulou o crescimento da cidade para norte, quando o mais correcto seria criar uma malha representativa do urbanismo expansivo existente no sec. XVI, até porque aquele arruamento será ladeado a sul pelas traseiras das moradias existentes. A segunda porque o elemento com mais representatividade; o museu, se viu ladeado por duas massas edificadas de grande expressão, que lhe retiraram o devido protagonismo. É também notória a falta do estudo de tráfego rodoviário, por duas razões; a primeira porque se inseriu uma rotunda a menos de 200 m de outra existente, pendurando todo o trânsito da cidade no actual IP2, e a 2ª por se terem criado cruzamentos com menos de 50 m entre eles, junto à actual estação. Na nossa opinião este estudo deveria ser reequacionado na forma e no género, pois ao contrário do anteprojecto para o Rossio e Largos Adjacentes, a que eu chamaria praças de armas, a abordagem histórica e urbana não está consolidada."
Actualmente e depois de ler alguns artigos, nomeadamente do ARamalho, penso ser pertinente questionar-se toda a intervenção urabana, quer na forma como abole, quase em definitivo com a ferrovia, como na forma como se interliga com a cidade.
